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Painéis solares bifaciais para residências: vantagens, limitações e quando realmente compensam

  • solaruxenergia
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura

Os painéis solares bifaciais deixaram de ser uma aposta exclusiva de grandes usinas para entrar, pouco a pouco, no radar dos consumidores residenciais.


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A promessa é sedutora.


Gerar mais energia no mesmo espaço, aproveitando a luz refletida no solo ou na superfície onde o sistema está instalado. Mas será que essa tecnologia realmente faz sentido em casas e pequenos telhados?


A resposta depende de como e onde esses módulos são instalados.


O que diferencia um painel bifacial de um convencional.


Ao contrário dos módulos monofaciais, que geram energia apenas pela face frontal, os módulos bifaciais captam luz em duas faces, aproveitando a refletância da superfície abaixo do painel. Além disso, grande parte dessa tecnologia utiliza construção vidro–vidro, que confere maior robustez, menor degradação ao longo do tempo e maior resistência à umidade e variações térmicas.


Esse conjunto torna o bifacial uma tecnologia madura e atrativa, desde que aplicada a ambientes que permitam o funcionamento pleno da sua face traseira.


O papel do albedo — e por que ele determina boa parte do ganho


O ganho de eficiência dos bifaciais depende diretamente do albedo, a capacidade de reflexão da superfície onde o sistema está instalado. Quanto mais clara a superfície, mais luz é redirecionada para a face posterior do módulo.


Valores típicos observados em estudos internacionais:


  • Neve e superfícies brancas altamente refletivas: 80–90%;

  • Concreto claro ou laje pintada: 30–60%;

  • Grama: 10–25%;

  • Telha cerâmica escura ou asfalto: 5% ou menos.


Esses números ajudam a entender por que nem todos os cenários residenciais trazem ganhos significativos. A maioria dos telhados brasileiros feitos de telhas escuras apresenta baixa refletância.


Quanto a mais um painel bifacial pode gerar?


Estudos do National Renewable Energy Laboratory (NREL) mostram que módulos bifaciais instalados em condições moderadas geram cerca de 5% a mais energia do que módulos monofaciais equivalentes, um ganho consistente e mensurável, desde que haja reflexão mínima e ventilação adequada da face traseira.


Quando instalados em condições ideais, como lajes claras e estruturas elevadas, estudos acadêmicos apontam que o ganho pode chegar a 20% ou mais. Em cenários extremamente favoráveis (solo muito claro e alta elevação), modelagens teóricas sugerem ganhos até 30%, mas esses valores são típicos de usinas solares, não de telhados residenciais.


Em residências, portanto, a realidade costuma ser mais moderada: na maior parte dos projetos bem executados, o ganho fica entre 5% e 15%.


Onde os bifaciais realmente fazem sentido em residências.


Os módulos bifaciais podem ser vantajosos quando o projeto oferece condições que permitam a entrada de luz na face traseira. Entre os cenários ideais:


  • Lajes claras ou superfícies refletivas, especialmente se a laje puder ser pintada com tinta refletiva;

  • Estruturas elevadas, com 20–40 cm de distância da superfície;

  • Carports e pergolados solares, que permitem luz difusa por baixo;

  • Telhados metálicos claros, com boa refletância;

  • Projetos sem sombreamento traseiro (antenas, caixas d’água, vigas e paredes podem reduzir fortemente o ganho).


Nesses casos, a tecnologia pode entregar ganhos consistentes sem exigir mais área instalada.


Onde os bifaciais quase não trazem benefício.

  • Telhas cerâmicas ou fibrocimento escuros, comuns no Brasil;

  • Módulos instalados muito próximos do telhado (sem folga para entrada de luz);

  • Ambientes com sombreamento traseiro;

  • Regiões com alta poluição ou poeira, que reduzem a refletância do entorno.


Nesses cenários, o ganho costuma ser muito pequeno frequentemente abaixo de 5%. Para o consumidor, isso significa pagar mais sem retorno proporcional.


E quanto custa essa tecnologia?


De modo geral, módulos bifaciais custam entre 10% e 20% a mais do que tecnologias monofaciais equivalentes.


Como são frequentemente módulos vidro–vidro, podem ser um pouco mais pesados, exigindo atenção ao cálculo estrutural do telhado.


Assim, para compensar economicamente, é desejável que o projeto consiga extrair ganhos reais (superiores a 8–12%), o que só ocorre quando há condições adequadas de albedo e instalação.


Vale a pena instalar bifaciais em residências?


A resposta depende do projeto.

Quando o ambiente favorece a reflexão e o integrador projeta o sistema pensando na entrada de luz traseira, os bifaciais podem ser uma escolha vantajosa. Em contrapartida, quando instalados sobre superfícies escuras ou colados ao telhado, o ganho é mínimo e raramente justifica o custo adicional.


Para o consumidor, a recomendação mais segura é solicitar ao integrador um estudo comparativo, simulando:


  • monofacial x bifacial;

  • diferentes alturas de instalação;

  • impacto do albedo real;

  • possíveis sombreamentos traseiros.


Assim, a decisão deixa de ser baseada em expectativa e passa a ser baseada em dados reais da residência.


A escolha certa depende do projeto.


Os painéis bifaciais têm espaço legítimo no mercado residencial, mas não são uma solução universal. Em projetos bem concebidos, instalados sobre superfícies claras e com boa elevação, podem gerar ganhos sólidos, aumentar a durabilidade e melhorar o desempenho energético da residência.


Em telhados escuros, sombreados ou com pouca folga traseira, porém, tornam-se apenas uma tecnologia mais cara, sem retorno proporcional.


Para consumidores e integradores, a mensagem central é clara: o bifacial funciona, mas o projeto precisa trabalhar a favor dele. Não existe resposta única, existe o projeto certo para cada telhado.



 
 
 

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